Tuesday, November 10, 2009

COMPILAÇÃO 'HISTÓRIA DO DEATH METAL'

Nesta terceira rubrica das compilações, apostamos no Death Metal. Um género que remonta aos meados e finais da década de 80, com o aparecimento de uma extensão mais pesada daquilo que os Slayer faziam. Não é fácil encontrar os percursores, dado que as origens do estilo não são fácilmente detectáveis. Mas não é descabido dizer que bandas como Possessed, Morbid Angel e Nihilist tiveram grande parte da responsabilidade pelo sucesso do Death Metal. Desta vez reunimos 30 faixas (a negrito) que dão uma ideia da evolução do Death Metal ao longo de mais de 3 décadas de existência. De realçar que muita coisa ficou de fora, encontrando-se em baixo uma lista de discos que deverão tentar ouvir para ficar com um autêntico doutoramento em Death Metal. Avisamos que ambas as listas estão em ordem cronológica, mas as músicas do ficheiro rar, estão em ordem aleatória. Esperemos que gostem e já agora todos os comentários são bem-vindos.

Relembro que estão disponíveis as compilações do Doom Metal e do Black Metal.

Doom Link: http://eventhorizon-space.blogspot.com/2009/10/compilacao-historia-do-doom-metal.html

Black Link: http://eventhorizon-space.blogspot.com/2009/09/compilacao-historia-do-black-metal.html

'Til Death Do Us Part
Paulo Figueiredo

Tracklist:

Possessed - Seven Churches (Pentagram) 1985
Napalm Death - Scum (Siege of Power) 1987
Nihilist - Premature Autopsy (Sentenced to Death) 1988
Bolt Thrower - Realm of Chaos (World Eater) 1989
Pestilence - Consuming Impulse (Dehydrated) 1989
Morbid Angel - Altars of Madness (Chapel of Ghouls) 1989
Entombed - Left Hand Path (Revel in Flesh) 1990
Deicide - Deicide (Dead By Dawn) 1990
Autopsy - Mental Funeral (Torn From the Womb) 1991
Atheist - Unquestionable Presence (Mother Man) 1991
Sepultura - Arise (Dead Embryonic Cells) 1991
Cannibal Corpse - Tomb of the Mutilated (Hammer Smashed Face) 1992
Brutality - Screams of Anguish (Cries of the Forsaken) 1993
Cynic - Focus (Veil of Maya) 1993
Carcass - Heartwork (Buried Dreams) 1993
Suffocation- Pierced From Within (Depths of Depravity) 1995
Death - Symbolic (Crystal Mountain) 1995
At The Gates - Slaughter of the Soul (Blinded By Fear) 1995
Hypocrisy - Abducted (Roswell 47) 1996
In Flames - Whoracle (Episode 666) 1997
Nile - Among the Catacombs of Nephren-Ka (Ramses Bringer of War) 1998
Children of Bodom - Hatebreeder (Silent Night, Bodom Night) 1999
Immolation - Close to a World Below (Father, You’re Not a Father) 2000
Vader - Litany (Xeper) 2000
Origin - Informis Infinitas Inhumanitas (Inhuman) 2002
Dark Tranquillity - Damage Done (Final Resistance) 2002
Arch Enemy - Anthems of Rebellion (We Will Rise) 2003
The Haunted - rEVOLVEr (No Compromise) 2004
Amon Amarth - With Oden On Our Side (Asator) 2006
Job For a Cowboy - Genesis (Reduced to Mere Filth) 2007

Link: http://www.megaupload.com/?d=M81U9K9M

Outras sugestões:

Cancer - To The Gory End 1990
Obituary - Cause of Death 1990
Gorefest - Mindloss 1991
Massacre - From Beyond 1991
Dismember - Like an Ever Flowing Stream 1991
Malevolent Creation - Retribution 1992
Incantation - Onward to Golgotha 1992
Monstrosity - Imperial Doom 1992
Necrophobic - The Nocturnal Silence 1993
Cryptopsy - Blasphemy Made Flesh 1994
Krisiun - Black Force Domain 1995
Six Feet Under - Haunted 1995
Brujeria - Raza Odiada 1995
Diabolic - Supreme Evil 1998
Behemoth - Satanica 1999
Dying Fetus - Destroy the Opposition 2000
Zyklon - World ov Worms 2001
Opeth - Blackwater Park 2001
Melechesh - Sphnyx 2003
Decapitated - The Negation 2004
Grave - As Rapture Comes 2006
The Black Dahlia Murder - Nocturnal 2007
Ulcerate - Everything is Fire 2009

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Sunday, November 08, 2009

SLAYER - «WORLD PAINTED BLOOD»

Com o sucesso vêm normalmente as grandes expectativas e desde cedo os norte-americanos Slayer se viram rodeados de um público fiel, até fanático, e também muitissimo exigente. Talvez por isso, quando a banda lançou o «Divine Intervention», depois de um «Seasons in the Abyss» que lhes alargou e de que maneira o público, vaticinou-se a queda dos Slayer, acusados de perder o vigor e o perigo de que os primeiros discos eram feitos. Acusações que «Undisputed Attitude» e «Diabolus in Musica» fizeram subir de tom. Mas a verdade é que mesmo «Diabolus in Musica» e o seguinte «God Hates Us All», apesar de serem porventura mais acessíveis, não deixam de ser álbuns de agressividade assinalável. Isto é, podem acusar os Slayer de muita coisa, menos de amolecer para tornar o seu som fácil para as rádios. Aliás, não me recordo de ouvir muitas vezes o «Dead Skin Mask», o «Stain of Mind» ou a «Eyes of the Insane» em rádios comercias ou na MTV, a não ser em programas especializados. Também não será em «World Painted Blood» que isso acontece. Se «Christ Illusion» devolveu aos Slayer a perigosidade que andava a faltar ao grupo, este 11º álbum de originais mantém os índices de agressividade, apesar de algumas falhas como a produção que se esquece de dar força às guitarras e alguns temas serem apenas recuperações de fórmulas e variações de riffs de temas de álbuns anteriores, como «Unit 731», «Beauty Through Order» e «Hate Worldwide». Depois temos ainda algumas músicas que parecem estar algo deslocadas como «Human Strain» que reporta à fase «God Hates Us All» e «Americon», escrita por Kerry King sobre o comércio petrolífero, que parece uma sobra do «Diabolus in Musica», apesar de ser uma música competente e catchy. Os melhores momentos do álbum são porém as últimas malhas do alinhamento, com a agressiva e ponto alto «Psychopathy Red», «Playing With Dolls» a fazer de «Dead Skin Mask», com um riff lúgubre e cheio de ambiente e «Not of this God» que mesmo sendo um óptimo final, não está ao nível de uma «Raining Blood» ou de uma «Supremist». Pelo meio «Public Display of Dismemberment» reporta aos tempos do «Reign in Blood» se é que tal é possível. No final de contas, «World Painted Blood» é um óptimo disco, desequilibrado como já «Christ Illusion» fora, mas demonstra que com 26 anos de carreira os Slayer ainda são capazes de compôr bons discos. 7,5/10

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SKITLIV - «SKANDINAVISK MISANTROPI»

Este é o primeiro full-length de um projecto formado pelo ex-vocalista dos Mayhem, Maniac, em conjunto com o polémico frontman dos Shining, Kvarforth, que resolveram baptizar de Skitliv, e que é possivelmente um dos mais depressivos de que há memória. Tudo em «Skandinavisk Misantropi» gira sob o signo da angústia, aliando o black metal à morbosidade do doom metal, por entre riffs monolíticos que se estendem por largos minutos e que erradiam qualquer possibilidade de se esboçar um único sorriso durante a hora de dez minutos que prefazem o disco. Não faço ideia de qual o estado de espírito dos músicos envolvidos na hora de gravar este material, mas o ambiente do estúdio não terá sido propriamente alegre. Nem podia, porque ouvindo temas como «Slow Pain Coming», «Hollow Devotion» e «Densetsu», a última coisa com que se fica com vontade é de distribuir beijinhos e abraços. À semelhança do tema título, talvez o melhor momento dos disco a par de «Hollow Devotion», que é um autêntico banho de escuridão visceral, com Maniac a iniciar a música com um discurso em tom semelhante ao tema de Mayhem, «View From Nihil», para se desenvolver através de um riff de revirar os olhos. Enfim, a melhor maneira de perceber o terrível ambiente em que «Skandinavisk Misantropi» envolve, é mesmo ouvindo, porque para aprecia este tipo de sonoridades, dificilmente sairá decepcionado. 9/10

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Tuesday, November 03, 2009

NILE - «THOSE WHOM THE GODS DETEST»

Começam a faltar palavras para descrever a capacidade dos Nile em disco após disco, reinventarem-se sem nunca perder de vista o brutal death metal com influências étnicas que sempre praticaram. «Those Whom The Gods Detest» demonstra Karl Sanders, o estratega dos Nile, no pico de forma em termos de composição, aventurando-se por temas longos como o brilhante «Kafir!» que abre o álbum, «4th Arra of Dagon» e o tema título, composto de várias estruturas que dariam para escrever álbuns inteiros de bandas actuais de deathcore. Apesar de mais complexo, este sexto álbum dos Nile é paradoxalmente um dos mais imediatos trabalhos do grupo, à semelhança daqueles que são porventura os mais bem conseguidos, «In Their Darkened Shrines» e «Annihilation of the Wicked». A canção «Utterances of the Crawling Dead» é um bom exemplo disso. Para além disto, «Those Whom The Gods Detest» detém algumas das mais pujantes canções da carreira dos Nile com «The Eye of Ra», «Hittite Dung Incantation» e «Kafir!», esta última cujo refrão fará decerto furor nos concertos. Para o fim fica aquela que para nós é a grande malha deste disco, «Iskander D'hul Karnon». É sabido que os Nile normalmente colocam no final dos seus álbuns temas épicos, este não quebra a tendência, finalizando da melhor maneira entre ritmos mid tempo e uma atmosfera terrífica saída directamente das seculares catacombas egípcias. Se por alturas do «In Their Darkened Shrines» perguntava-se se os Nile teriam devorado os seus deuses (Morbid Angel), em alusão à música «Unas, Slayer of Gods», agora ainda mais fará sentido atribuir aos Nile o trono do death metal e um lugar no panteão de um género absolutamente estagnado desde do fim da febre do death metal sueco. Simplesmente, o melhor álbum da intocável carreira dos Nile. 10/10

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CONVERGE - «AXE TO FALL»

Banda já de culto no que diz respeito ao punk hardcore/ mathcore, os Converge contam neste oitavo álbum de estúdio, com a participação de uma série de ilustres convidados dos Cave In, Disfear, Neurosis e Genghis Tron. Trata-se apenas de um bónus para um dos melhores trabalhos da carreira do grupo de Massachusetts. Em «Axe to Fall» os Converge aperfeiçoam a fórmula dos dois últimos trabalhos, «You Fail Me» e «No Heroes», para incluirem maior diversidade e dinâmica como atestam por exemplo «Worms Will Feed/ Rats Will Feast» e «Cruel Bloom». Em «Wretched World» os Converge mostram com sucesso a sua faceta mais introspectiva, como já haviam feito em faixas dos álbuns anteriores, mas creio que nunca de forma tão expressiva ou mesmo, sentimental. No meio da cacofonia que é «Axe to Fall» tudo faz sentido, até mesmo os ritmos impossíveis de «Dark Horse» e «Rip What You Sow». Só falta encontrar a fórmula que fez de «You Fail Me» o disco mais homogéneo da sua carreira, porque a música atingiu aqui o pico de performatividade. 8,2/10

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BRAINSTORM - «MEMORIAL ROOTS»

Formados em 1989, os Brainstorm são uma banda de power metal pouco granjeada pelo sucesso, mas mesmo assim, suficientemente produtiva para atraír os fãs da sonoridade para os seus interessantes álbuns, oito no total. Em «Memorial Roots» os Brainstorm optam pela variedade, quando o antecessor «Downburst» indicava que os alemães se preparavam para dar um salto para as paragens mais directas do power metal americano. A introdutória «Forsake What I Believed» espelha esta tendência, com o seu ritmo mid-tempo e algumas experimentações dignas de registo. Acaba precisamente por ser nestas músicas mais atípicas da sonoridade Brainstorm que a banda joga a maior parte dos seus trunfos, «The Conjuction of 7 Planets» é também sublime, mas as peças mais directas como «Shiver», são infelizmente de uma banalidade atroz, desiquilibrando fatalmente o impacto final do trabalho. «Memorial Roots» sofre também com a produção seca, com falta de poder de fogo, que não abona em favor do agradável trabalho de guitarras espalhado por todo o disco (em «Nailed Down Dreams» e «When No One Cares» por exemplo). Interessante, mas longe de essencial. 5,9/10

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Monday, November 02, 2009

EPICA - «DESIGN YOUR UNIVERSE»

Apesar do gothic metal em meados da década de 90 ter proporcionado a vocalistas femininas a abertura das portas a um género musical dominado por homens, só com a chegada dos Evanescence e Within Temptation e consequente explosão dos até então "sempre prometedores" Lacuna Coil e Nightwish, é que as bandas de metal lideradas por mulheres atingiram um estatuto considerável. Isto, apesar de Tristania e Theatre of Tragedy já fazerem o que estas bandas fazem, há muitos anos. Não tardaram a aparecer uma série de grupos, ora recuperados para apanhar a boleia do trend (After Forever) ora formados de raíz (Leaves Eyes), o que é certo é que cedo, uma corrente de novas bandas com vocalistas femininas "invadiu" o mercado, espalhando-se desde no gothic metal tradicional (Sirenia), às modalidades modernas (Delain), como ao metalcore (The Agonist e In This Moment) e ao sinfónico (Epica). Não sendo portanto dos mais acessiveis, comercialmente falando, os Epica, liderados pela ruiva de olhos azuis Simone Simmons, pegam na sonoridade abandonada pelos Within Temptation por alturas do «Mother Earth», atribuem-lhe o goticismo de uns Theatre of Tragedy e as melodias cheias e modernas dos Nightwish e rematam com uma costela sinfónica digna de uma banda sonora hollywoodesca. Difícil seria perceber onde ficaria a música no meio de tudo isto, suspeitas que ficaram provadas na estreia «The Phantom Agony» e que se prolongaram até ao último disco «The Divine Conspiracy». Ou seja, os Epica gostam de pensar em grande, mas acabam sempre por dar um passo maior do que as pernas, com a qualidade das músicas, a não justificar tamanho aparato orquestral. «Design Your Universe» repete a fórmula, com sinfonias bombásticas, superprodução, temas que vão desde do mais puro cheesy para as rádios até ao potente power metal sinfónico, tudo misturado, só podia resultar num disco demasiado disperso para o seu próprio bem. Mas que acaba por ser o mais aproximado daquilo que se exige de um grupo como os Epica: malhas de dimensão memorável, que ecoem nos ouvidos durante muito tempo. Algo que acontece nos primeiros brilhantes temas, «Resign to Surrender», «Unleashed» e «Martyr of the Free Word». Após esta entrada de rompante, o álbum falha em manter-se equilibrado, principalmente depois de gigantesca «Kingdom of Heaven», cujos 14 minutos talvez tivessem sido melhor colocados no final do disco. O álbum ainda recupera o andamento em «Burn to a Cinder» e «Semblance of Liberty», mas perde-se algures entre as baladas «Tides of Time» e «White Waters» (apenas a segunda merece destaque pela positiva) e mais uma faixa épica de quase dez minutos, «Design Your Universe ». Em suma, o potencial está lá, ouçam a pujança de «Martyr of the Free Word» e «Semblance of Liberty», com direito a vozes guturais de Mark Jansen, mas é impossível não imaginar os Epica se se dedicassem a compôr temas mais simples e directos. «Design You Universe» é o melhor registo até à data dos Epica, mas que continua a revelar uma banda com ambições que ultrapassam a musicalidade demonstrada. 7,8/10

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GORGOROTH - «QUANTOS POSSUNT AD SATANITATEM TRAHUNT»

Na infindável lista de novidades entusiasmantes da rentrée metálica deste ano, os Gorgoroth ocupavam os lugares cimeiros, com a disputa judicial entre Infernus e a dupla Gaahl/ King ov Hell, a determinar a continuidade da banda através do guitarrista, único elemento fundador em actividade no grupo. É lógico que depois de uma batalha que durou vários meses, Infernus teve de reconstruír os Gorgoroth, recrutando músicos de segunda linha do black metal internacional como o vocalista Pest dos Obtained Enslavement e Blood Stained Dusk (e antigo vocalista dos Gorgoroth), Tormentor dos Orcustus para a guitarra, o baixista Boddel dos Hellwitch e o baterista Tomas Asklund dos Dark Funeral. Ao ouvir este «Quantos Possunt ad Satanitatem Trahunt», fica patente a ideia de que Infernus sempre foi de facto o mastermind dos Gorgoroth, conseguindo aqui fazer uma súmula daquilo que o conjunto norueguês tem vindo a oferecer desde da sua génese em 1992. Seja através do black metal mais directo e raw como em «Aneuthanasia» e «Prayer», seja através da mais balançadas «Cleansing Fire» e «Human Sacrifice». O passado recente do grupo também não foi esquecido através de «Building a Man» que reporta directamente à sonoridade de um «Incipit Satan». Mas de facto, este 8º álbum dos Gorgoroth parece querer fazer as pazes com o passado mais remoto do grupo, para pacificamente (ou não), projectar a banda para um novo futuro. «Rebirth», um dos melhores momentos do disco, que relembra a clássica «Sorg», é lirica e musicalmente um manifesto contra todas as polémicas em que os Gorgoroth se envolveram nos últimos anos. Aqui o que vale é mesmo a música, que está muitissimo acima da média. 8/10

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PORTAL - «SWARTH»

Ultrapassado o choque inicial que foi ver três homens vestidos como o Espantalho (um dos inimigos mais famosos de Batman), um dos quais envergando orgulhosamente um relógio de cuco na cabeça, que por vezes dá lugar a um chapéu pontiagudo à Gandalf, tornou-se urgente ouvir com atenção estes australianos de nome, Portal. Um conjunto que, se por um lado prima pela extravangância de uma imagem que poderia perfeitamente ser sight over substance, por outro consegue aliar essa imagem misteriosa a uma sonoridade perturbadora com bases no death e black metal. «Swarth» não é de todo um disco fácil, impõe ao ouvinte dedicação que posteriormente se revela recompensada através de canções com uma atmosfera sufocante, desde do primeiro acorde do tema título até «Marityme». Permitam-me colocar isto da seguinte forma: levado a sério, «Swarth» eleva a patamares perigosamente viciantes a capacidade dos Portal em transportarem o ouvinte através de um mundo sonoro de sombras e existências tortuosas, em que não há espaço para qualquer sentimento que não seja de absoluta negritude. O trio desenvolve ao longo das oito faixas, uma superior musicalidade, sempre em função da atmosfera, com perícia assinalável, como na opressiva »Larvae», na blackish «The Swayy» e na longa e doomy «Werships». «Swarth» é não só um surpreendente exercício de escapismo como muito poucas bandas nos dias de hoje conseguem fazer, mas também a demonstração de que o trabalho desenvolvido em «Seepia» (2003) e «Outre'» (2007), não foi obra do acaso. Só falta agora perceber se os Portal são apenas uma banda de estúdio ou um projecto de ambições maiores, como este fantástico disco parece querer mostrar. 10/10

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Thursday, October 29, 2009

HYPOCRISY - «A TASTE OF EXTREME DIVINITY»

Quando vi pela primeira vez a capa deste 12º trabalho de originais dos Hypocrisy, comecei a dissertar sobre as possibilidades de Peter Tägtgren se encostar ao black death metal, como forma de escapar à estagnação que o seu grupo atingiu depois de 11 discos em que as variações musicais foram mínimas. Mas assim que «Valley of the Damned» começa a disparar aquela melodia tão característica dos Hypocrisy, as suspeitas caíram logo por terra: ainda não é desta que o afamado músico/produtor arrisca o quer que seja com a sua banda principal. Ainda bem, dizem os fãs da banda, que ao fim de 11 discos a ouvir a mesma coisa, ainda conseguem encontrar num novo álbum dos Hypocrisy, coisas interessantes e dignas de registo. «A Taste of Extreme Divinity» é de facto um bom álbum de death metal com malhas pujantes, (onde «Weed Out the Weak» e «Global Domination» se destacam) um Peter Tägtgren inspirado tanto vocalmente como na guitarra, e um baterista, Horgh, versátil e agressivo atrás do kit de bateria. Mas apesar da notória capacidade de dar ao death metal uma melodia soberba e desde logo reconhecível como sendo Hypocrisy, «A Taste of Extreme Divinity» é "só" mais um disco da banda, sem quaisquer tipo de oscilações, a não ser ao nível gráfico e lírico. 7/10

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BARONESS - «BLUE RECORD»

Aqui está finalmente o sucessor do aclamado «Red Album», a que os Baroness resolveram chamar de.... «Blue Record». Ok, o quarteto norte-americano pode não ser dos mais inspirados a escolher títulos para os seus discos (já os EPs de 2004 e 2005 chamaram-se «First» e «Second»), mas a música é do melhor sludge rock metal a que puderão deitar ouvidos este ano. Curioso, porque assim que comecei a ouvir estas novas canções, tive várias vezes a sensação de que era um disco menos homogéneo e menos inspirado do que o disco de estreia. O que é certo é que «Blue Record» é um disco mais variado, mas é também mais orientado para os riffs, sublinhando a cada música que passa, novas texturas e ritmos brilhantes como o que abre «Jake Leg» ou os de «A Horse Called Golgotha», esta com um excelente solo aos 3'20. A razão para serem comparados aos Mastodon, começa por outro lado a ficar cada vez mais diluída, mas presente em alguns temas como «War, Wisdom and Rhyme», estratégicamente colocada quase no final do alinhamento, com o seu andamento up tempo a ser a malha mais pesada de todo o disco. «Blue Record» é bem mais memorável do que o «Red Album» e indicativo de os Baroness podem a curto prazo, vir a ser um caso sério de popularidade nos adeptos das novas gerações do metal americano. 9/10

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EKRON CULT - «QUEEN OF THE LUXURY»

Se gostam de álbuns limpos, sobreproduzidos e capas photoshopadas, podem simplesmente parar de ler e passar para a review seguinte, porque «Queen of the Luxury», o primeiro e único disco dos entretanto extintos Ekron Cult, parece saído de uma máquina do tempo, directamente da mesma fornada de um «Under the Sign of the Black Mark», «INRI» ou «Obssessed by Cruelty». Com apenas 27 minutos de duração, «Queen of the Luxury» é feio, porco, mau e vem do Paraguai, exclusivo para amantes das sonoridades old-school e um verdadeiro deleite auditivo repleto de malhas que fariam furor ao vivo, nomeadamente «Re-crucify the Bastard», «March Over Death» (a minha favorita) e «The Ancient Bringers of Sins». Apesar da banda estar conotada como death metal, o trio composto por The Attacker, The Antagonist e The Vandalic, deve mais ao thrash de uns Sodom e ao black dos Bathory e Hellhammer, do que propriamente aos Morbid Angel, ainda que a espaços o «Altars of Madness» marque presença nos pujantes riffs de «Eterno, Maldito» e em «Rot». É claro que analisando friamente o disco, isto é produto de fraquíssima qualidade ao nível da produção que parece uma demo e a música tem originalidade zero, mas por vezes o que conta é mesmo a resposta emotiva à arte e «Queen of the Luxury» provoca uma inequívoca reacção de admiração pela fiel reprodução de uma das mais emblemáticas eras da história do metal. Hats off! 8/10

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LOST SOUL - «IMMERSE IN INFINITY»

Apesar de não serem propriamente uma banda muito produtiva (4 álbuns de originais desde 1991), os polacos Lost Soul são uma das mais respeitadas bandas de death metal do seu país juntamente com Behemoth, Vader e Decapitated. Muito por culpa dos excelentes registos que o conjunto lá vai editando de tempos em tempos. «Immerse in Infinity» sucede a «Chaostream» de 2005, e pode-se já adiantar, minimiza a espera com o melhor lote de composições que o grupo alguma vez ofereceu. Um death metal violento que baste, mas repleto de técnica e tiques progressivos, sem nunca perder a noção de estrutura e melodia. Os melhores exemplos estão em «Personal Universe» e «216», músicas longas em duração, mas que estão arquitectadas para nunca soarem chatas ou repetitivas. Depois ainda temos que levar com o malhão que é «...If the Dead can Speak», uma música de death melódico que não destoaria num qualquer disco de In Flames..pelo menos os primeiros minutos da música. «Immerse in Infinity» versa sobre o cosmos e mundos paralelos, e é de facto uma banda sonora perfeita, para os tópicos apresentados. Um dos grandes discos de death metal de 2009. 8,5/10

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Wednesday, October 21, 2009

HARVESTMAN - «IN A DARK TONGUE»

Harvestman é um dos projectos desenvolvidos pelo Sr. Steve Von Till dos Neurosis, à parte de um outro a que dá o seu nome com o qual, em 2008 gravou o aplaudido «A Grave is a Grim Horse». «In a Dark Tongue» é, aliás, o segundo disco que Von Till grava com Harvestman, o primeiro, «Lashing the Rye», data já de 2005. Confesso que não ouvi esse disco de estreia, mas se for na onda deste «In a Dark Tongue», não fico com grande vontade de o ouvir. Trata-se de um projecto em que se exploram sobretudo ambientes em ritmos lentos, a maior parte das vezes em formato instrumental. O disco em si, demora a arrancar com as primeiras músicas a servirem apenas como focos de tensão, mas muitíssimo alongadas, antes de chegarmos sem grande entusiasmo a «By Wind and Sun», onde finalmente começa a acontecer alguma coisa, com a entrada de vocalizações sussurradas e com um riff de guitarra denso e cativante por trás. O disco prossegue interessante em «Music of the Dark Torrent» e na folkish «Eibhli Ghail Chiuin Ni Chearbhail», para continuar infelizmente através de uma série de canções chatas e sem alma, como «The Hawk of Achill» e «Light Cycle». Para o final, fica um devaneio que parece saído das sessões do Planetário de Lisboa, com o espacial «Centre of the World». «In a Dark Tongue» é um disco que peca por longo, que se torna inevitavelmente aborrecido e que comprova que, afinal nem tudo o que reluz da Tribes of Neurot é ouro. 5/10

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ECHOES OF ETERNITY - «AS SHADOWS BURN»

Se a estreia dos Echoes of Eternity com «The Forgotten Goddess» fazia antever uma banda empurrada pela imagem e pela sonoridade cheesy, sem qualquer tipo de conteúdo meritório de registo, este segundo disco é em larga escala um objecto superior ao primeiro disco, mas ainda assim com algumas fraquezas que se revelam vitais. «As Shadows Burn» pega no power metal americano e injecta uma considerável dose de gothic metal e alguns trejeitos do malfadado metalcore mais melódico. O resultado está longe de ser sofrível. O grupo norte-americano consegue a espaços ser mesmo excelente como em «Ten Of Swords», «A Veiled Horizon» e «Twilight Fires», auferindo o disco de uma cativante atmosfera melancólica, como fazem por exemplo, os The Agonist. A musicalidade está, ouçam por exemplo a secção intermediária de «Twilight Fires», os riffs thrash em oposição à voz delicada de Francine Boucher em «Letalis Deus» e os riffs progressivos de «Funeral in the Sky». O problema reside na falta de alcance e versatilidade da voz da frontwoman, que quando precisa de atingir um registo agudo mais alto, limita-se a dobrar vozes. No refrão de «Buried Beneath A Thousand Dreams» é mais do que evidente. Há aqui, no entanto, bastante potencial, esperemos que os Echoes of Eternity saibam aproveitá-lo. 7/10

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Tuesday, October 20, 2009

LUX FERRE - «ATRAE MATERIAE MONUMENTUM»

Temos nos últimos anos assistido a um saudável surgimento de várias bandas portuguesas de black metal que vão desde do depressivo (Inverno Eterno) ao sinfónico (Darkside of Innocence), passando pelo mais clássico com Epping Forest, numa versão mais melódica e InThyFlesh numa versão mais raw. Os Lux Ferre por seu lado estabelecem hoje a ponte entre o movimento vanguardista francês, como na música «Dormente» que fecha este novo álbum e o típico black metal nórdico, em «Thirst for Despair». Isto claro, com as devidas diferenças, porque se existe ponto positivo em «Atrae Materiae Monumentum» é a atmosfera simultaneamente melódica e podre, pautada pela áspera e convincente voz de Devasth, que permite identificar quase de imediato que banda estamos a ouvir. Aliás, não estamos aqui a falar de músicos desconhecidos ou estreantes. Este é o segundo longa duração de um grupo que se desdobra (ou desdobrou) em diversos projectos paralelos, como Malleus, Penitência, Ars Diavoli e InThyFlesh, relativamente produtivos ao longo dos anos que separam este disco da estreia «Antichristian War Propaganda», um álbum onde se podiam ouvir essencialmente influências de Craft e Marduk. Para este sucessor, os Lux Ferre tornaram-se numa banda muitíssimo mais interessante e variada, entre temas de black/doom como «O Caminho» e o blastbeat típico-sem-ser-corriqueiro de «The Bell of Fate», que apesar da velocidade, está repleta de atmosfera. Em suma, este é um disco com grandes momentos («Correntes» é outra música sublime), mas que dificilmente irá revolucionar o que quer que seja no black metal. Acima de tudo é um disco interessante e competente. 7/10

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