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Monday, July 13, 2009

DEVILDRIVER - «PRAY FOR VILLIANS»

Escusado será nesta altura ainda se falar nos Coal Chamber, já que Dez Fafara parece de facto levar os seus Devildriver muito a sério, ao contrário do que muitos vaticinaram, quando o músico resolveu erguer este projecto totalmente virado para o death metal melódico. «Pray For Villians» parece ser nesse sentido um disco honesto feito por quem conhece e gosta de metal pesado e moderno. Dez Fafara compõe aqui um lote de treze temas invejáveis com destaque para o brilhante trabalho de bateria de John Boecklin, cujos devastadores ataques de duplo-bombo irão por certo provocar caos ao vivo. O único pequeno senão de «Pray For Villians» é longa duração do álbum que poderia com menos algumas faixas (leia-se fillers), ser um disco excelente. Notável trabalho ainda assim dos Devildriver, nomeadamente em «Pure Sincerity» e «I've Been Sober». 7,6/10

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Friday, July 10, 2009

ANAAL NATHRAKH - «IN THE CONSTELLATION OF THE BLACK WIDOW»

Este é mais um capítulo de blasfémia sonora de um dos mais brutais projectos alguma vez feitos no black metal. Os responsáveis são o duo britânico Dave Hunt e Mick Kenney que desde 1998 têm construído uma enorme reputação com os Anaal Nathrakh. Este é, mais precisamente, o 5º capítulo da banda que utilizando uma caótica fórmula musical consegue criar ordem no caos e compôr temas onde existem mesmo refrões. Talvez seja importante dividir a carreira dos Anaal Nathrakh em duas fases. A primeira é a fase em que a banda primava pelo raw black metal dos álbuns «The Codex Necro» e até ao seminal «Domine Non es Dignus». A partir de «Eschaton», as composições começar a albergar vocais limpos e pequenas passagens menos velozes, a canção «Between Shit and Piss We Are Born» foi um verdadeiro marco nesse sentido. Em «In the Constellation of the Black Widow», os Anaal Nathrakh prosseguem este caminho desbravado em 2006, para nos oferecer um dos mais conseguidos discos da sua carreira. Os referidos coros de vozes limpas, marcam presença nas espectaculares «More of Fire Than Blood» e «In The Constellation of the Black Widow» e a agressividade descontrolada remniscente dos primeiros álbuns também está presente, nomeadamente em «Terror in the Mind of God» e «Satanarchist». Mas para além dos habituais ingredientes, os Anaal Nathrakh conseguem ter tempo para introduzir novas ideias como o groove inteligente em «The Unbearable Filth of the Soul» e na subtil melodia escandinava de «So Be It». «In The Constellation of the Black Widow» mostra uma banda dona de uma identidade única no metal, com uma sonoridade bem definida, suportada por um culto que se torna cada vez maior com a edição de novos álbuns. Resta saber como tudo isto funciona ao vivo... e já não falta muito para matar a curiosidade. 8,5/10

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OBITUARY - «DARKEST DAY»

Os Obituary dispensam apresentações. São das mais prestigiadas bandas de death metal da história, muito por culpa dos álbuns «Slowly We Rot» e «Cause of Death». Desde então a banda tem infelizmente vivido à sombra destes discos, gravando obras posteriores sem o mesmo brilhantismo, com «World Demise» a ser o que mais se aproxima. Em 2005, apercebendo-se da onda de revivalismo de bandas clássicas, os Obituary resolveram gravar um novo álbum «Frozen in Time», mas a tendência de referência aos 2 primeiros álbuns manteve-se. Finalmente os Obituary devem ter-se apercebido desse eterno handicap e resolveram recuperar a designação Xecutioner, nome da banda antes de se tornar Obituary, para entitular o álbum de 2007, os resultados não foram porém os melhores. «Darkest Day» revela que mesmo mantendo esta luta contra o passado, os Obituary continuam a ter uma imensa legião de fãs ávidos por novos álbuns. Nesse aspecto, «Darkest Day» é uma vitória. A banda continua a fazer bom death metal, agressivo por vezes, mais técnico noutras, mas suficientemente interessante para manter o nome da banda no activo. Experimentem ouvir a sequência das 4 primeiras faixas onde têm a fantástica «Blood to Give». O problema dos Obituary é a pesada cruz que carregam que à semelhança dos Pestilence (banda que este ano lançou o bom «Resurrection Macabre»), os impede de projectarem a banda para o futuro, uma vez que estão irremediavelmente presos ao seu glorioso passado. 7/10

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SUICIDE SILENCE - «NO TIME TO BLEED»

Quem assistiu à prestação dos Suicide Silence em Corroios como suporte a Behemoth, não ficou com certeza indiferente a este quinteto, fosse pelo poderio vocal de Mitch Lucker ou pelos breakdowns típicos da sonoridade que praticam que por esta altura já causam mais enjoos do que admiração. Ora, no que me toca, achei que os Suicide Silence tinham tudo para vingar: boa presença de palco, malhas pujantes da sonoridade da moda e um vocalista...diferente. Embora o álbum de estreia «The Cleansing» demonstrasse ainda uma banda à procura da melhor fórmula, já «No Time to Bleed» é um passo de gigante em termos de qualidade e definição artística. Claro que ainda tocam deathcore e é claro que os breakdowns são mais que muitos durante os 37:12 que completam o disco, a diferença está na qualidade das canções que em «The Cleansing» eram facilmente "esquecíveis", mas em «No Time to Bleed» ficam perigosamente alojadas na massa cinzenta, mesmo de quem não costuma ouvir deathcore. Aliás «Smoke» e «Lifted» vão directamente para a minha lista de melhores malhas de 2009. Curiosamente «No Time to Bleed» sai quase em simultâneo com «Ruination» dos Job For a Cowboy», aumentando considerávelmente o tempo de exposição ao deathcore. Pode estar aqui a surgir uma nova tendência estratégica das editoras. 8/10

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JOB FOR A COWBOY - «RUINATION»

Depois de espantarem meio mundo com o EP «Doom» e com «Genesis», os Job For a Cowboy tornaram-se sinónimo de deathcore, um estilo que entretanto se tornou moda e deu origem a algumas centenas de clones nos últimos 2 anos. Por isso, as expectativas eram altas para este «Ruination», para também se perceber quais as pretensões verdadeiras da banda norte-americana. Ao ouvir este «Ruination» facilmente se percebe que os Job For a Cowboy não se deixaram deslumbrar pelo estatuto que têm, como gravaram inclusivamente um disco mais intenso que «Genesis». Uma intensidade atestada não só na velocidade, mas também na capacidade da banda em ser simultaneamente open-minded (ouvir «March to Global Enslavement») como espantosamente tradicionalista (em «Summon the Hounds»). «Ruination» supera em larga escala «Genesis» e atira os Job For a Cowboy para o restrito lote de bandas de quem se pode esperar muitas e boas coisas. 8/10

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GRAVEWORM - «DIABOLICAL FIGURES»

Os Graveworm foram até 2003 com «Engraved in Black» uma das mais promissoras bandas de gothic black metal, valendo-lhes inclusivamente nesse ano e para esse disco, um contrato com a gigante Nuclear Blast. Infelizmente, estes italianos foram um daqueles casos em que a banda se apanha numa major e desata a modificar substancialmente o seu som. Neste caso, o álbum seguinte «(N)Utopia» (2005), representou para os Graveworm uma clara mudança de direcção para paisagens mais dark metal, deixando o BM para segundo plano. Não é preciso ser bruxo para se perceber qual foi a reacção dos fãs, tendo a Nuclear Blast atirado a banda para a editora satélite Massacre. «Collateral Defect» (2007) foi a obra que se seguiu numa fraca tentativa de recuperar a postura mais agressiva do grupo, agora parcialmente recuperada em «Diabolical Figures». Neste disco, os Graveworm conseguem regenerar-se com uma série de belos temas de black metal melódico que mesmo mergulhado nos clichés do género, espanta por várias ideias interessantes como por exemplo na estrutura do tema título. O ponto mais caricato do disco acaba, no entanto, por ser a versão de «Message in a Bottle» dos The Police que é curiosamente bastante bem conseguida. «Diabolical Figures» é um disco mais aproximado da sonoridade «Engraved in Black» e como tal, representativo daquilo que os Graveworm têm de melhor para oferecer. 7,2/10

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Thursday, July 02, 2009

CODE - «RESPLENDENT GROTESQUE»

Com apenas um único disco («Nouveau Gloaming») os Code conseguiram o que muitas bandas andam carreiras inteiras à procura: deixar marca. Para esse disco, a banda compôs um black metal avantgarde com remniscências de doom, de onde a maravilhosa «The Cotton Optic» se destacava. Neste novo trabalho, onde estiveram para figurar ICS Vortex (Dimmu Borgir) e Asgeir Mickelson (Borknagar) , os Code dão maior ênfase ao BM mas mantêm uma parcela significativa de elementos extra nomeadamente em »Possession is the Medicine» que faz lembrar a nova fase mais rock dos Satyricon. De resto as vozes de Kvohst e Viper complementam-se, embora a voz limpa pareça ser usada com alguma displicência, como em «Jesus Fever» e «I Hold Your Light» que chegam a parecer mais sobras do «Sideshow Symphonies» dos Arcturus. De uma forma geral, «Resplendent Grotesque» é um bom follow-up a «Nouveau Gloaming», mas algo inferior a este. A ver o que os Code nos reservam para o terceiro álbum. 7,5/10

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NEAERA - «OMNICIDE - CREATION UNLEASHED»

Mesmo propondo uma sonoridade algo genérica no que diz respeito ao death melódico que praticam, os Neaera têm conseguido impôr-se ao longo de quatro álbuns com relativo sucesso e «Omnicide» é mais um capítulo de sobrevivência de uma banda que viu o trend do DM melódico passar e agora tenta agarrar com unhas e dentes todas as hipóteses concedidas. Pese embora o facto de que absolutamente nada em «Omnicide» é novidade, nota-se vontade e garra nos Neaera que em temas como «Prey to Anguish» e «Grave New World» conseguem ser simultaneamente agressivos e "inventivos". Um disco que provavelmente vai passar despercebido, mas que tem qualidades suficientes para se fazer notar por entre os acérrimos do estilo. 6,7/10

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SUFFOCATION - «BLOOD OATH»

Desde do regresso em 2004 com «Souls to Deny» os Suffocation têm sido considerados um dos melhores comebacks de bandas clássicas pela atitude refrescante e no compromisse que demonstraram nesse título e no homónimo trabalho (potente, diga-se) de 2006. «Blood Oath» é dos três álbuns o mais fraco, nunca chegando verdadeiramente a entusiasmar seja pela maioria dos temas a quedar-se por ritmos lentos, raramente proporcionando explusões de energia, como as de um «Entrails of You», ou pela falta de pelo menos um tema que se destaque dos restantes. Se são adeptos fanáticos dos Suffocation ou de death metal brutal, esqueçam esta review, porque provavelmente até vão encontrar no álbum coisas interessantes como «Images of Purgatory» e «Cataclysmic Purification», mas ao pé dos anteriores discos da banda, «Blood Oath» é claramente um passo a trás. 6/10

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AGORAPHOBIC NOSEBLEED - «AGORAPOCALYPSE»

Os Agoraphobic Nosebleed propõem com este álbum algumas inovações, para quem estaria à espera de uma receita igual à protagonizada pelo anterior manifesto de brutalidade que foi «Bestial Machinery» (2005). Em «Agorapocalypse» as 3 primeiras faixas reduzem a velocidade comum dos temas da banda, mas são suficientemente rápidas e não vão estranhar até chegarem a «Moral Distortion», onde a banda tira realmente o pé do acelerador, mantendo o tom em «Hung From the Rising Sun» e vários temas posteriores. Decerto haverá muitos detractores, mas sinceramente acho que os AN tornaram-se numa banda mil vezes superior ao caoticismo que os álbuns anteriores demonstravam, porque fazer um álbum ultra-rápido com 100 músicas só tem mesmo piada uma única vez. «Agorapocalypse» não representa perda de intensidade em relação aos anteriores discos, ganha pela virtude de ter músicas possíveis de ser verdadeiramente "cantadas". Já agora, o solo de bateria em «Question of Integrity» é sublime! 8,6/10

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JORN - «SPIRIT BLACK»

Dono de uma das mais carismáticas vozes do metal, Jorn Lande enveredou em 2000 por uma carreira a solo em que já editou 6 óptimos álbuns de hard n' heavy, sendo «Spirit Black» o 7º e onde não dá mostras de abrandamento ou de decréscimo de qualidade. Este é um dos pensamentos que permanece depois de se ouvir o disco: este homem está envolvido nos Masterplan, num projecto a meias que Russell Allen (dos Symphony X), no projecto Millennium e ainda recentemente fez uma perninha no álbum de Ayreon, onde aparentemente até compôs algum material. Puro talento, dizemos nós, e basta ouvir «Spirit Black» para perceber isso!
O álbum começa onde «Lonely are the Brave» acabou e propõe um conjunto de canções inspiradíssimas, cujos refrões apetece cantar de pulmões bem abertos. «Road to the Cross» é o melhor exemplo disso, uma canção com um feeling étnico e refrão principal simples mas muitissimo bom. A maior parte das músicas privilegia o ambiente à rapidez (à excepção de «Burn Your Flame»), mas podemos garantir que todas as faixas funcionam na perfeição, com «Spirit Black» e «The Last Revolution» à cabeça. Em «City Inbetween» está, a nosso ver, a mais complexa e interessante faixa do álbum, que revela a vontade de Jorn em experimentar novas abordagens ao hard n' heavy, numa faixa semi-épica cujo refrão deverá ser um must ao vivo. Menos óbvia é a cover de «I Walk Alone» de Tarja Turunen (ex-Nightwish), que mesmo sendo uma música engraçada, fica a milhas do repertório original de Jorn. Um álbum claramente acima da média e que está ao nível daquele que era unanimamente o melhor a solo até à data de Jorn, «Worldchanger». 8,3/10

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THE DEVIN TOWNSEND PROJECT - «KI»

«Ki» assinala uma viragem na carreira de Devin Townsend que com a confirmada saída dos Strapping Young Lad, pode enfim dedicar-se aquela que sempre foi assumidamente a sua prioridade artística. O músico não perdeu tempo e escreveu de uma assentada material suficiente para uma série de álbuns e «Ki» é assim o primeiro disco de uma trilogia que irá decerto confirmar a genialidade deste incrível músico. Neste álbum em particular temos composições simplesmente brilhantes como «Disrupt» e «Coast», acompanhadas de perto por devaneios como «Gato» e «Trainfire». A diversidade é a ideia reguladora de um disco em que DT não se coíbe em passar de uma sonoridade Pink Floyd para remniscências de SYL, por vezes na mesma canção. «Ki» é um álbum bastante dinâmico e dificil, que exige diversas audições, mas cuja recompensa é preciosa e irrecusável. Ainda assim, como confesso admirador dos seus álbuns a solo, penso que «Ki» é óptimo mas não tem a consistência de um «Ziltoid» ou de um «Ocean Machine» 7,8/10

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A LONE VARIANT - «LO-FI EXPERIMENTS FROM A DYING SUPERNOVA»

Em formato EP, «Lo-Fi Experiments from a Dying Supernova» é o primeiro lançamento oficial do projecto A Lone Variant, constituído por um único elemento, Diogo Lima, a cargo das guitarras e da programação dos restantes instrumentos, excepto da guitarra-baixo, tocada por Fábio Pereira. Musicalmente A Lone Variant prima pela experimentação nos meandros do pós-rock e do stoner, este último género a ser inclusive homenageado com uma versão de «Satanic Rites of Drugula» dos Electric Wizard. Nas originais destaque para a faixa título num registo western com um solo brilhante a partir dos 3 minutos e para «Rest in Fire» que fica algures entre Nine Inch Nails e Marilyn Manson, numa versão stoner, subentenda-se. Em «25th Century Conquerors», Diogo Lima conta com Cristóvão Ferreira (dos Spank Lord) nas vozes, num registo musical que trás à memória Danzig. Para um primeiro ensaio «Lo-Fi Experiments from a Dying Supernova» é um registo digno que apenas sofre de uma produção algo vazia e de alguma indefinição artística. Mas como se trata precisamente de um cartão-de-visita, podemos interpretar esta desfocagem como demonstração de versatilidade musical, porque o projecto demonstra potencialidade para explorar diversos estilos, evitando a curto prazo rótulos óbvios e estagnação. Relativamente ao som e dado que estamos perante uma gravação caseira, não é nada que um estúdio a sério, num futuro próximo (espera-se), não resolva. Podem checkar o álbum por inteiro no MySpace, A Lone Variant. 6,5/10

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ZAO - «AWAKE?»

Apesar dos Zao já andarem nos escaparates desde 1995, apenas a partir de 2004, com o excelente «The Funeral of God» conseguiram obter o reconhecimento merecido, partindo para uma tour mundial com In Flames e Trivium. Entretanto, sempre associada à Ferret, a banda lançou «The Fear is What Keeps Us Here» (2005) embora sem os resultados positivos do antecessor. Chega-nos agora este «Awake?» que promete colocar os Zao definitivamente no lote de bandas principais do movimento actual norte americano. Os Zao fundem com enorme sucesso os apetrechos do metal core, acrescentando as experimentações próprias de uma banda pós-rock/metal com Cult of Luna a surgir como principal referência. As canções variam entre a contemplação absoluta com riffs lentos e monolíticos como em «Reveal» que trazem à memória os CoL e outros apontamentos jazzísticos, mas organizados, que relembram Meshuggah em «Quiet Passenger Pt. 1». Já «Romance Of Southern Spirit» demonstra um dos grandes trunfos de «Awake?» que é o soberbo trabalho de guitarras, atestado no hipnotizante final de «Quiet Passenger Pt. 2». «Awake?» prova a imensa potencialidade do metalcore e atira os Zao não só para a linha da frente do estilo, como enfim revela a banda norte americana como uma das promissoras bandas de metal da actualidade. 8,5/10

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Tuesday, June 23, 2009

TRAIL OF TEARS - «BLOODSTAINED ENDURANCE»

Contrariamente a uma série de bandas que ao postarem um vídeo no MySpace têm logo acesso a grandes editoras, a vida dos Trail of Tears não tem sido fácil, com constantes trocas de elementos e contratos discográficos pendurados à custa desta incapacidade de estabilizarem por mais de 1 álbum. Mas se há coisa que ninguém pode tirar aos Trail of Tears e a Ronny Thorsen particularmente, já que é mentor, compositor e vocalista, é a inegável qualidade que os seus discos exprimem desde da estreia em «Disclosure in Red» (1998). Desde então tem sido sempre a subir até «Existentia» considerado por grande parte dos fãs o melhor esforço da conturbada carreira do grupo. Ora, «Bloodstained Endurance» é na nossa opinião bem melhor do que «Existentia», por finalmente concretizar a fórmula que Thorsen parecia andar à procura desde do disco de estreia. O equilibrio entre peso e melodia é simplesmente brilhante, como atestam «Triumphant Gleam» e «Farewell To Sanity». Para abrilhantar o álbum ressurge ainda Cathrine Paulsen, que tinha abandonado a banda em 2004. Se gostam de gothic-metal, este álbum é-vos absolutamente imperdível. 9/10

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Monday, June 22, 2009

DESIRE - «CROWCIFIX»

«Crowcifix» é uma espécie de convite a uma nova geração de metaleiros, para conhecerem uma das mais importantes bandas do panorama nacional, designadamente nas sonoridades mais sorumbáticas do doom death metal. Para os mais desatentos, estamos perante uma banda que lançou a primeira demo em 1995, mas que infelizmente tem tido uma relação à distância com a assiduidade discográfica que se impunha a uma banda com a qualidade dos Desire. Se a editora Skyfall parecia uma espécie de rampa de lançamento, rapidamente o grupo viu-se obrigado a fazer edições de autor para que o seu material visse a luz do dia. 2009 pode bem ser um ano de mudança para os Desire, que pela amostra que fazem em «Crowcifix» os novos temas prometem relançar o nome para o panteão do doom internacional. Se em «Locus Horrendeus» (2002) os Desire pareciam uns azeiteiros dada a lentidão e o conteúdo lírico dos seus temas, quer-me parecer que os próprios já se aperceberam disso porque «White Falling Room» é claramente uma das melhores composições de sempre dos Desire e que já revela alguma predisposição para tempos ritmicos diferentes daqueles protagonizados em «Locus Horrendus». Também «Funeral Doomentia», que apesar de ser um tema mais lento e maior que o primeiro, acaba por evidenciar grande abertura e fulgor musical. A música dos Desire ganha aqui dinâmica e mais território para explorar. Venha o longa duração, para reafirmar (esperemos) o que aqui de alguma forma já foi dito. 8/10

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DESTRÖYER 666 - «DEFIANCE»

Poucos álbuns terão sido tão bem baptizados como «Defiance» que representa um ligeiro desvio na carreira dos Deströyer 666, banda que até agora havia-se cingido ao seu estatuto de culto ultra-underground no seio da quase inexistente cena australiana, fustigando a terra dos cangurus com o seu blackened thrash metal. Talvez fartos do isolamento a que estão sujeitos, a banda resolveu ir de Sabática desde 2002 (lançaram 2 EP's que passaram despercebidos, em 2002 e 2003), para regressar em força e com novo baixista, nada menos do que o baixista dos Razor of Occam, outra banda australiana que está aí para as curvas. «Defiance» é o resultado de um longo processo de maturação, que antevê um merecido salto do tal semi-anonimato para a frente de batalha de um estilo que está em alta. Mas pese embora o facto de os Deströyer 666 até serem uma banda de thrash metal, não se pense que optaram por gravar um disco qualquer para capitalizar o actual revivalismo thrash, até porque como disse no início, este disco é um ligeiro desvio da sonoridade que marca a história do grupo até aqui. O abrandamento é notório, com faixas mais épicas relembrando Amon Amarth e Keep of Kalessin e até Watain nas partes mais black metal. A agressividade continua lá, principalmente nas faixas assumidamente mais BM, como em «The Barricades Are Breaking», mas o que faz de «Defiance» um disco tão especial é o facto de propôr variações ritmicas inteligentes e solos fantásticos que não retiram ao material poder de fogo, antes auferindo-o de maior acutilância. «Weapons of Conquest», «I Am Not The Deceiver» e a catchy «A Thousand Plagues» atestam-no. 8/10

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PRIMAL FEAR - «16.6 BEFORE THE DEVIL KNOWS YOU'RE DEAD»

Neste novo registo, os germânicos Primal Fear optam por uma abordagem mais dinâmica e variada do que nos registos anteriores, contribuindo para tal um tratamento diferente dado às guitarras, desta vez mais cheias e "redondas". O power metal da banda, esse continua praticamente intacto, permitindo apenas algumas variações ritmicas que, apesar de haverem equivalentes em álbuns anteriores, presenteiam algumas canções com uma côr mais vibrante como em «Six Times Dead (16.6)» e «Black Rain», esta última com um feeling semelhante a «Nights of Arabia» dos Kamelot. Um álbum desnecessariamente longo e com bastantes fillers, mas que deve agradar aos muitos fãs da banda. 7/10

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Thursday, June 18, 2009

HATEBREED - «FOR THE LIONS»

Os norte americanos Hatebreed resolveram mostrar que não perderam de vista as raízes e lançaram um conjunto de versões das suas bandas preferidas. Pode ouvir-se Slayer, Metallica, Sepultura e bandas punk/hardcore, num exercício de relativa futilidade, já que a banda não acrescenta absolutamente nada aos originais e a pertinência de um lançamento destes é praticamente nula. Resta tentar perceber se este disco visa cumprir uma cláusula contratual com a actual editora, ou se os Hatebreed são mesmo tão humildes como se querem fazer passar. Oiçam aquela que é a melhor interpretação do disco («Territory» dos Sepultura) e decidam vocês próprios. 4/10

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TYR - «BY THE LIGHT OF THE NORTHERN STAR»

A certeza que fica após a audição do álbum dos Tyr é a de que o folk/viking metal está a atingir níveis preocupantes de saturação. «By the Light of the Northern Star» é um disco bem tocadinho, repleto de melodias alegres e coros guerreiros, mas ao qual falta algo que o retire da mediana que percorre as faixas desde do primeiro ao último segundo. É pena, porque os Tyr até parecem ter competência suficiente para fazerem boa música, mas o facto de estarem presos à fórmula folk/viking metal não os beneficia, para além deste disco ficar a milhas do bom álbum que foi «Ragnarok» (2006). Para os seguidores da banda e fanáticos do estilo. 5/10

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Sunday, June 14, 2009

MYSTIC PROPHECY - «FIREANGEL»

6 álbuns em 8 anos? É obra! Desde da magnifica estreia em 2001 com «Vengeance», os Mystic Prophecy têm lançado óptimos trabalhos, embora nunca ao nível dessa obra marcante que propunha um power metal com laivos thrash cheio de garra e energia. «Fireangel» promete 8 anos e 5 álbuns depois mudar esta tendência, com um lote de 11 fantásticas canções que para os mais desatentos mistura Judas Priest, Iron Maiden, Manowar e Kamelot.
ATENÇÃO! As bandas que mencionei servem apenas para fixar um território sonoro, porque os Mystic Prophecy estão longe de ser apenas cópias de qualquer uma dessas bandas. O espaço deste grupo germânico está já definido desde 2001 e cimentado nos álbuns seguintes. «Fireangel» é glorioso desde da introdutória «Across the Gates of Hell» com o seu ataque letal de pedal duplo e refrão viciante, continuando um trabalho de ambiente soberbo em «Demons Crown». Ambiente esse que não destoa dos últimos trabalhos do grupo que optaram desde cedo por uma imagética "evil", chegando num passado recente a incluir alguma berraria mais agressiva em «Satanic Curses» (2007) e «Savage Souls» (2006). «Fireangel» é um disco obrigatório onde se encontram faixas mais rápidas e agressivas como «Father Save Me», «We Kill! You Die!» e «Gods of War» mas também variedade rítmica como em «To The Devil I Pray», «Fireangel» e «Death Under Control». Seguramente, um dos discos de power metal do ano. 9/10

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TIM RIPPER OWENS - «PLAY MY GAME»

Contrariamente ao esperado Tim Ripper Owens não optou por dar continuidade ao seu projecto Beyond Fear, preferindo aceitar o cargo de vocalista com Yngwie Malmsteen e agora encetar um projecto a solo, onde pretende demonstrar os dotes de compositor e de... individuo muito sociável. «Play my Game» inclui nada menos do que 23 músicos convidados, entre os quais se destacam naturalmente Dave Ellefson, Chris Caffery, Jeff Loomis, Vinny Appice, Bob Kulick e Doug Aldrich. O resultado prático desta metal party é muito pouco condizente com a qualidade reconhecida aos músicos envolvidos que, fora um ou outro solo (o inicio de «Play my Game» e The Shadows Are Alive»), não dá vontade de particularizar nenhuma das prestações dos mesmos. O problema é a própria qualidade das canções que raramente sobem a um nível acima do mediano. São doze as canções que compõem «Play my Game» e diga-se apenas metade dão gozo ouvir e só 4 são verdadeiramente grandes malhas. São elas «Starting Over», «The Cover Up», «The World is Blind» e «The Shadows are Alive». Estas últimas revelam, ao nível lírico, outro dos grandes problemas de «Play my Game». Ripper Owens não é definitivamente um bom letrista. Como pontos altos temos a voz de Ripper Owens altamente personificada e como um dos melhores frontmen da actualidade e o trabalho das guitarras extremamente bem captadas, que infelizmente acabam por ofuscar os restantes instrumentos. «Play my Game» é um trabalho interessante do ponto de vista de um fã do ex-vocalista de Iced Earth e Judas Priest, mas fraco numa perspectiva de inicio de um novo projecto. A capa à Spinal Tap também não ajuda muito. 5,8/10

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BIRDS OF PREY - «THE HELLPREACHER»

Mesmo incluíndo no seu line-up membros de Municipal Waste, Baroness e The Mighty Nimbus, os Birds Of Prey são umas das bandas mais discretas do catálogo da Relapse e ao ouvir este «The Hellpreacher» percebe-se bem porquê. Estamos perante uma banda que mistura sludge e thrash até com relativo sucesso, basta ouvir «Tempt the Disciples», mas está longe de constituir algo inovador ou entusiasmante, parecendo-se mais como uma cópia barata do death n' roll que os Entombed fizeram no magnifico «Serpent Saints». O álbum até começa bem com «Momma» e «Juvie», mas acaba por ser dispersar em temas chatos e repetitivos, por entre as óptimas «Tempt the Disciples» e «The Excavation». «The Hellpreacher» fica bastante aquém do excelente «Sulphur and Semen» (2008) e lança a meteórica carreira dos Birds of Prey (3 álbuns em 4 anos), numa aparente letargia. 6/10

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